sexta-feira, 28 de Junho de 2013

COMO NASCEU O CORAL DO B.N.U. - LEIRIA

Neste projecto, pretendo contar a história viva de um Coral que nasceu em 14 de Janeiro de 1987, na linda cidade do Lis e a razão de ser tão especial…
É que este coral “nasceu” no seio de uma Instituição Bancária e numa pequena cidade chamada Leiria!






Na época, costumavam fazer-se grandes festas de Natal para as famílias dos empregados, onde depois da refeição, se confraternizava - cantando, dançando e terminando a mesma, com uma oferta aos filhos dos empregados que tivessem até 12 anos de idade. 

  No Banco Nacional Ultramarino, onde eu trabalhava, havia várias pessoas que gostavam muito de cantar e que tinham boas vozes. E o principal de tudo é que, havia um colega que até era músico. Assim todos os anos, quando o grupo se reunia para cantar, principalmente canções de Natal, o referido colega sempre nos dizia “não é por falta de maestro que não têm um coral”. Façam circular uma lista para inscrições dos interessados e faremos um coral a sério, disse-nos na festa de Dezembro de 1986.
No início de Janeiro, passou pela secretária de cada um de nós uma lista onde se lia:

“Inscrições para se formar um Coral”.
 
- O Coral do B.N.U. - Leiria
 
Encabeçava essa lista um dos gerente da Agência, o Sr. Adriano Lopes dos Santos, por isso teve logo mais adesão… Depois do colega e maestro, Joaquim Vicente Narciso verificar o número dos inscritos, telefonou às esposas de alguns colegas que sabia terem boas vozes, para virem fazer parte desta nova família que nascia
 
- A família do coral do B.N.U. - Leiria!

E os ensaios começaram por naipes, à hora do almoço, de Segunda a Quinta-feira e na Sexta,  em conjunto. Os empregados inscritos, levavam umas sandes, comiam em 15 minutos e os restantes 45 minutos seguintes, eram passados no sótão das instalações do Banco, onde se realizavam os ensaios. Passados cerca de um ano, passámos a ensaiar à noite (a quatro vozes) todas as Quintas- feiras, pelas 21h00, nas instalações do próprio Banco.

E o 1º concerto-  deu-se no Sport Operário da Marinha Grande a 05.12.1987, seguindo-se outros no Centro Comercial D. Dinis, no Mercado Santana , etc, etc.
A farda das senhoras nessa época, era constituída por uma saia preta, blusa branca e um lenço regional bem colorido ao ombro. Tão simples, como o coral!


No ano seguinte, começou-se a pensar em "voos" mais altos...
 
A direcção do coral eleita na altura, constituída pelos colegas Maria Teresa Vaz e António Luís de Carvalho, meteram mãos à obra para, junto da nossa Sede em Lisboa, conseguirem autorização "oficial" para se fazerem ensaios à noite, usar o telefone do Banco para contactos, a impressora para tirar fotocópias das partituras, enviar cartas do Coral pelo correio interno do Banco, etc, etc...



Mais tarde, a "dor de cabeça" da colega Mª.Teresa Vaz, para a escolha da linda "farda" para o nosso Coral, com as senhoras usando as cores da nossa grande Instituição que era o B.N.U. ou seja,
o Banco Nacional Ultramarino!

AS PRIMEIRAS ACTUAÇÕES

A partir de agora, vou apenas descrever as actuações mais importantes do nosso Coral:
- 10/12/1988 - Em Lisboa, a convite da Direcção do BNU, na festa de Natal da Instituição, onde granjeámos a admiração e o reconhecimento do director Dr. Costa Pinto.

O momento mais alto na altura, 21/05/1989 - foi a organização do 1º Encontro de Coros do Distrito de Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva onde reunimos 10 Corais numa final apoteótica com cerca de 500 pessoas em palco e... a estreia do nosso novo visual.

E em 21/10/1990 começámos a gravar um LP em Tomar.


 

Em 17/03/1991- foi a grande festa do lançamento do LP, na quinta das Caves do Vidigal
com a presença do Presidente do C. de Administração do  B.N.U. o Dr. Costa Pinto


Os elementos do Coro de então 



Mas em 23.05.1992, lançámos-nos noutra "aventura":

O 1º ANDAMENTO MUSICAL".

Nas bonitas instalações da Caixa Geral de Depósitos (da Praça Goa, Damão e Diu), com a colaboração do Gerente da altura, realizou-se o "impensável"...
Com o sistema de alarme desligado (na parte onde se ia actuar), teve lugar naquela Instituição Bancária, a uma brilhante actuação de três coros, distribuídos e posicionados em locais estratégicos (R/Chão e 1º andar), cada um por sua vez. Depois, no grande espaço da entrada da CGD, com  os corais reunidos e alguns músicos a acompanhar, cantámos três peças em conjunto num final muito feliz:...
- Quando começou a descer do "céu" uma chuva de pétalas de rosas, sobre os corais e assistência, só se ouviam exclamações como esta:
.Oh,Oh,Oh...



- A 16.01.1993, foi o a festa da nossa 100ª actuação no Teatro José Lúcio da Silva.
 
- A 10.01.1999- Foi a nossa primeira experiência com Orquestra, na comemoração dos 125 anos da filarmónica da SAMP - Pousos, com a Orquestra Juvenil de Fornos- Feira, na belíssima obra "O Magnificat" de Pergolesi.
 Grandes emoções que ficarão para sempre nos nossos corações!



Também a 29 de Abril do mesmo ano, juntamente com o Calçada Romana de Alqueidão da Serra, fizemos um magnífico concerto Medieval, no nosso Castelo de Leiria com uma linda coreografia da nossa solista Dina Malheiros da Fonseca, inserido nas Jornadas Nacionais do "Lions Club".


O Ano 2000 foi também, muito rico em actuações...

O nosso maestro andou durante uns anos à procura duma grande obra de um Leiriense, que se julgava perdida:
- "TE DEUM",  de Inácio Aires de Azevedo, com 130 anos de feitura.
A 21 de Maio (nas festas da cidade), integrada no "Quodlibet" e com a Orquestra Juvenil de Fornos - Feira, foi a grande estreia. Sentimos emoções indescritíveis que só as sente, quem canta juntamente com orquestra...
Este "Te Deum", foi repetido posteriormente em Pombal, Marinha Grande, Feira e Rio Meão. 
Depois a 11.03.2001 na comemoração dos 500 anos de elevação a Vila e para finalizar o ciclo do Te Deum em 21.10.2001 fomos a Almada, a convite do Coral Polifónico.

ALTERAÇÃO DO NOME DO CORAL e...."Outros Projectos"

Com a passagem do B.N.U. para a Caixa Geral de Depósitos em 2001 e a aquisição do Coral, por parte dos  Serviços Sociais,  decidiu-se alterar a designação do mesmo e passámos a chamar-nos:
CORAL CANTÁBILIS DA C.G.D.-LEIRIA.

No entanto as "grandes" dificuldades iriam surgir em Abril de 2005, com o encerramento da Agência Rotunda Santana (antigo B.N.U.), onde nós efectuávamos os ensaios e onde tínhamos o nosso espólio (conforme foto abaixo). 



Só em Maio de 2006 e depois de muitas cartas e várias idas a Lisboa, por parte de elementos da Direcção do Coral e do maestro, conseguíamos permissão para os ensaios, numa sala dos Serviços Sociais da Caixa, na Praça Goa, Damão e Diu.


Já tínhamos um longo percurso e um nome que prestigiava a Instituição que servíamos.
A direcção do Coral não desanimou e "lutou", com afinco, pela continuidade do mesmo.

Assim, outros projectos surgiram na vida do nosso coral.

O nosso maestro Narciso, "meteu" mãos à obra e conseguiu que em 24.01.2004,  a Câmara Municipal de Leiria, fizesse o lançamento do maior cancioneiro de Portugal:  "Entre Mar e Serra da Alta Estremadura", com recolhas do professor José Ribeiro de Sousa e que ele "pacientemente", ordenou, catalisou e "trabalhou" todas as músicas para quatro vozes.


Depois em 2006, lançámos um duplo CD com o título: "Percursos".

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Também foi "criada" uma nova e bonita pasta para inserir  as "partituras" aquando das nossas actuações:






E para dar vida ao referido cancioneiro, foi criado o chamado:

"Teatro das cantigas", com uso de trajes regionais, vários instrumentos e recurso ao "teatro" ao qual aderiram alguns elementos do coro.
Como havia quem quisesse aprender viola e cavaquinho, o maestro decidiu arranjar quem os ensaiasse e dar oportunidade ao "sonho" de alguns de nós.

Em 5.01.2007 e a convite da gerência da Agência da C.G.D. vamos em conjunto, o Coral e "as cantigas", cantar as Janeiras nas instalações da CGD na Praça Goa Damão e Diu.
Clientes e empregados, desfrutaram por momentos da "tradição de Janeiras" que a todos encantou, principalmente quando "apareceram"  três colegas vestidos de  Reis Magos, com as  simbólicas "ofertas", para depositar ao balcão da Caixa.










Uma iniciativa que se vem repetindo a partir daquele ano.


E para recordar vou transcrever um original, cantado por nós ,
da autoria do nosso Maestro:


DAS BANDAS DO ORIENTE


Das bandas do Oriente
Em cortejo imperial
Montados nos seus camelos
Com seus tesouros de invejar
Aqui estão os "três reis" confiantes!


Montados nos seus camelos
Do Oriente estão a chegar!
E aqui estão os "três Reis", como clientes!


Montados nos seus camelo
Com seus tesoiros de invejar!
Baltazar, Belchior e Gaspar.


Montados nos seus camelos
Com seus tesouros de invejar...
Aqui vêm seus tesoiros depositar!


TAMBÉM NÓS AQUI ESTAMOS
NA CAIXA A FESTEJAR
QUEREMOS AOS SEUS CLIENTES
E AOS FUNCIONÁRIOS
OS "REIS" CANTAR!


Ou ainda....


ESTA CASA É BEM ALTA
(adapção com letra apropriada)


        Refrão


Esta casa é bem alta
Toda caiada por fora
Que ninguém lhe faça mal
E viva quem nela mora


Os clientes da Caixa
Podem dormir descansados
Que todos os seus haveres
Estão bem acautelados


Muita prudência e juízo
Seja pessoa avisada
Ponha o dinheiros na Caixa
Durma sempre descansada


Gostamos de estar ligados
A esta Instituição
Viva esta Caixa Geral
E sua Administração!






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MOMENTOS MAIS IMPORTANTES NA VIDA DO CORAL

Com um Coral cheio de vida e criatividade, não têm faltado momentos importantes. No entanto, vou apenas relatar alguns que mais "dignificaram" o mesmo.
Em 8.05.2004 -  fomos cantar à Sé de Leiria, (animação litúrgica) num acontecimento importante nesta cidade...
O casamento de DAVID FONSECA, cantor e músico Leiriense, filho dos nossos coralistas Dina Malheiros e  Joaquim Casal da Fonseca.
Uma honra para nós, como não podia deixar de ser..

A 11.10.2008- Fomos cantar à Culturgeste da C.G.D.- Lisboa, no aniversário da Associação dos AAEBNU, com um salão repleto de gente, o que muito nos dignificou.






O ano de 2012 -   foi também muito rico em espectáculos, porque...

- Celebrámos as nossas Bodas de Prata!

Como o tempo passa!
Um coral de Instituição e de província, com 25 anos de existência, é obra!

Transcrevo as palavras de um elemento do coro (a Mariazinha Rocha), que traduz todo o nosso trajecto:

"Todo o percurso do coral só tem sido possível com o enorme empenho e arte do maestro e compositor Joaquim Vicente Narciso, incansável no seu trabalho de campo e de pauta, pesquisando, organizando e compondo as mais belas músicas com que veste a poesia de Afonso Lopes Vieira e muitos outros poetas, ou arranja e adapta para o coral a maioria das peças que interpretamos." 

-A 15.01.2012 - fomos à Papelaria/livraria Arquivo, para animar o lançamento do livro "A quinta curva do caminho" de Isabel dos Santos, filha do Sr. Adriano Lopes dos Santos e  Srª. D. Lurdes, nossos companheiros de coral.



- A 19 de Fevereiro -  Foi a Festa do nosso Aniversário- Animámos a Celebração Litúrgica na Sé, onde recordámos todos os nossos colegas que já tinham "partido", a começar pelo Sr. Adriano Lopes dos Santos, em tempos gerente do B.N.U., fundador deste Coral e seu tesoureiro há vários anos, bem como grande impulsionador e entusiasta do mesmo e que "nos tinha acabado de deixar"...




 Depois...




Foi o convívio excelente num restaurante dos arredores da cidade, onde estiveram presentes connosco, os nossos convidados, antigos coralistas que por razões diversas deixaram o coral, um representante dos S. Sociais da CGD- Lisboa, (na pessoa do Dr. Fernando Costa e esposa) e o casal Presidente da AAEBNU-Lisboa (Sr. Ribeiro Gonçalves e Srª D. Olga), entidades que apoiam a continuidade deste Coral.
Houve festa, alegria, animação e por fim ofereceram-se alguns presentes. 

E passo de novo a transcrever, o que disse a nossa coralista, a Mariazinha...
"... depois fomos agradavelmente surpreendidos pela apresentação em DVD dos principais momentos cronológicos do coral entre 1987 e 2012, com fotos, música e filmes numa colectânea que vimos, ouvimos e também guardámos (para mais tarde continuar a recordar) elaborada pela Elisa Pinto."  

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- A 18 de Março - Visita Cultural à Capital da cultura- Guimarães, onde levámos o nosso canto, a quem nos quis ouvir, no Museu Alberto Sampaio,  nos claustros do Paço dos Duques de Bragança e ainda na Igreja da Ordem Terceira.




- A 28 de Abril, no Museu de Imagem e Movimento,M/I/MO realizou-se um belíssimo concerto, com os nossos convidados: Aires del Castro - Hinojedo - Cantábria e Públia Hortência de Castro- Elvas. E mais uma vez, vou transcrever o que a "nossa" querida  Mariazinha escreveu sobre este assunto:

Photo- "Será um encontro de coros que além de possuírem em comum o canto e a música, completam igualmente 25 anos de existência. E porque um coral vem de Espanha e outro de Évora,  teremos  uma tripla festa de aniversário com Música sem fronteiras, onde o canto alentejano, o nosso e de “nuestros hermanos”  comprovará que, de facto, se trata da  linguagem mais bela,  mais fraterna e mais universal."


- A 5 de Maio, foi o colmatar dos esforços da Direcção do Coral (porque as duas pessoas da direcção, aproveitaram o facto deste aniversário, para apresentarem  as "suas criações"):

No M/I/MO, uma tarde cultural bem recheada:

- Coral nos seus 25 Anos
- Lançamento do livro "Memórias de Moçambique", por Elisa Oliveira Pinto
- Exposição de quadros (técnica mista),"Um olhar diferente",  por Dina Malheiros.












E para finalizar em grande...

19 de Maio 2012 - partida para Istambul, 
num passeio cultural à Turquia onde cantámos e nos encantámos com os belos monumentos e paisagens naturais na Capadócia que nos deliciaram...



- 6 de Outubro - casamento de Ana Marília e Sérgio, na Igreja dos Marrazes.
Para nós um momento importante pois a Ana é como "nossa família"-  tem-nos acompanhado desde sempre, nos passeios que fazemos,  nas excursões, convívios, etc.
O carinho com que ela nos trata é recíproco.
Parabéns e felicidades são os nossos votos!

16.11.2013- No salão do Arquivo Distrital de Leiria, o Coral esteve presente num "apontamento" musical, cantando tão somente LEIRIA, para um público muito "especial", no lançamento de alguns livros como: "William Charters ", um Oficial Inglês em Leiria no Sec. XIX, por Ricardo Charters d'Azevedo e a "Cidade e o Conselho" da autoria de seu primo Afonso Zúquete, netos de pessoas importantes desta cidade, no início do Século passado.


Também na semana seguinte, dia 23 de Novembro, agora na Biblioteca Afonso Lopes Vieira, o mesmo "apontamento musical" sobre Leiria, no lançamento de mais um livro,  este com um título muito sugestivo: "Contos de réis reais d'amores, " da autoria do nosso  1º sócio honorário Dr. Arménio Vasconcelos.